terça-feira, 22 de abril de 2008

Entrevista: Fernando Catatau (Cidadão Instigado)

Introdução:
"Partindo do princípio de que a busca pela própria verdade é o mais importante, surgiu o cidadão instigado. um projeto idealizado por fernando catatau em 1994.

O ponto de partida para suas composições foram histórias que ele mesmo viveu e transformou em letras. a partir do que foi dito, criou-se a música. de forma triste, tensa, saudosa, psicodélica… levando o ouvinte a uma percepção musical a partir de uma imagem, seja de um sujeito, que por ser um pouco diferente, leva consigo as marcas do preconceito, ou de um pobre que pensa que colocando dentes de ouro, mesmo que falsos, vá se tornar mais bonito. momentos vividos, transformados em canções."


Formação:
Fernando Catatau: voz, guitarra e teclados
Regis Damasceno: guitarra, violão e vocal
Rian Batista: baixo e vocal
Clayton Martin: bateria acústica e eletrônica

Discografia:
2002 - O Ciclo Da Dê.cadência (Instituto)
2003 - EP
2005 - Cidadão Instigado E O Método Túfo De Experiências (Slag)


foto: Alisson Louback





Entrevista:


PPS: Primeiramente uma pergunta que deverá decidir se essa entrevista poderá ser postada no Pendurado Para Secar ou não: O que você acha do compartilhamento "ilegal" de músicas, filmes, livros...? Você acha que o "mercado cultural" tem que rever suas idéias ou é o compartilhamento "ilegal" que tem que ter um fim?


Catatau: Eu acho que o mundo caminha pra que todas as informações sejam compartilhadas é um caminho sem volta a custa do barateamento nós temos acesso a várias coisas, quem imaginaria que você escrevendo um nome e dando um clic num mouse você conseguiria ver tantas coisas como se vê hoje no You Tube? Lógico que no fim das contas tudo vai se perdendo, a qualidade não importa mais, e isso é algoaterrorizante, pois as pessoas vão perdendo o referencial do que é bom ou ruim, mas a informação ta ali. Na hora que se quer no final das contas é o que temos pra viver hoje.



PPS: Como é que você vê a atual cena (musical) independente do Ceará?


Catatau: Tem bastantes bandas novas, mas não é muito diferentedo que era nos anos 80 ou 90. O diferencial de hoje éque as trocas de informações ajudam, mas você chega emfortaleza e é a mesma dificuldade pra tocar, nesses últimos tempos alguns jornalistas meperguntaram sobre a cena cearense...Eu conheço algumas bandas, umas que gosto e outras quenão, mas o que eu percebo é que não existe ummovimento ou algo parecidocada um ta no seu mundo se dedicando e correndo atráse eu vejo isso como um ponto muito positivonão que eu seja contra movimentosmas as pessoas se fortalecendo separadamente podem setransformar em algo concreto.


PPS: Recentemente o Cidadão abriu um show do Tom Zé. O que você acha do Tom Zé no quesito musical, o experimentalismo dele, você considera ele um revolucionário? e por que você acha que ele é muito mais reconhecido no exterior? Lembrando que aqui no Brasil precisou um músico gringo famoso (que eu não me lembro quem é) dizer que o trabalho dele era muito bom para elecomeçar a ser valorizado.


Catatau: Eu fico até sem saber o que falar sobre o Tom Zé, é difícil falar sobre alguém que é muito bom e verdadeiro no que faz, acho ele muito foda. No Brasil é difícil as pessoas terem acesso a qualquer tipo de informação que seja um pouco mais “inteligente”, os responsáveis pelo país querem que o povo seja burro e apático, imagino que este seja um dos maiores fatores de todo tipo de arte não ser para o povo: é o medo das pessoas se rebelarem contra esse sistema fulero que a gente vive.

PPS: Qual o caminho para a música brasileira sair do marasmo que se encontra? Se é que você acha que ela se encontra num marasmo.

Catatau: Acho que tem muita gente fazendo coisas legais, muitas mais fazendo coisas horríveisacho que e necessário ser verdadeiro no que se faz, fazer musica sem pensar em mercadoo mercado já ta na nossa frente.

PPS: Essa próxima vai inteira da forma como foi elaborada, por um membro da comunidade da revista O Dilúvio, pois foi algo que aconteceu "com ele" então preferi nem mexer no texto, por favor comente:

"É interessante citar aquela *declaração do Lúcio Maia* que postei aqui e saber o que ele acha do download dE seus cd´s . Lembro que no início da comu do Cidadão Instigado ele detonou o fato da gente estar liberando os cd´s em mp3, cheguei até a compará-lo ao Lula que queria expulsar o jornalista americano que disse sobre o seu gosto pelo álcool. Lembro que os tópicos foram apagados e depois da reação da galera, ele acabou deixando ficar.Pergunta: Ele, tal qual o molusco, prefere ser essa metamorfose ambulante ?P.S.: Adoro o som do Catatau."

*Não achei a declaração "original" dele, mas ele reclamava do fato do disco da Nação Zumbi ter vazado na internet, e dizia que ai ninguém comprava e com isso a gravadora acabava e a banda acabava. Era mais ou menos isso. Agora se me permite, deixe-me fazer um parênteses com o fato de que o disco do Maquinado (projeto do próprio Lúcio Maia) foi para na internet pouco após ser lançado e só num link postado no blog Som Barato
, onde também foi postado o disco da Nação Zumbi, teve um grande número de downloads e ele (Lúcio Maia) em momento nenhum reclamou do disco estar na internet.

Catatau: Cabra, me desculpe, mas eu não entendi muito a pergunta eu ou o Lucio que detonamos o fato "deles" estarem botando nossas mp3 pra baixar?eu sempre fui a favor de liberar as musicas em mp3, então não deve ter sido eu, lembro que no começo da comunidade do Cidadão teve algumas pessoas que começaram a brigar dentro de umtópico e eu apaguei mas apaguei pelo simples fato de não concordar com discussões a toa eu sou a favor de download livre, se eu faço isso, porque vou criticar outros que fazem? lógico que se alguém comprar o meu cd e o dinheiro for pro meu bolso eu prefiro pois vivo disso e preciso pagar minhas contas, mas vai da escolha de cada um.
Quanto ao Lucio, tanto ele como o resto da galera devem saber o que é melhor pra Nação Zumbi, eu fui um dos que baixou o disco novo na internet e fico feliz toda vez que consigo descobrir alguma coisa nova e legal, pra mim só me incomoda a qualidade, tanto que nem escuto muito som em mp3 pois me soa agressivo, mas isso sou eu.


PPS: O que esta por vir de trabalho novo por ai? disco novo do Cidadão? o que você pode adiantar?

Catatau: Já estamos com o disco todo pronto em termos de composições e arranjos, devemos começar a gravar em junho se tudo der certo, estamos tocando algumas novas nos shows acho que o melhor é dar uma assistida no show pra ter uma noção.

PPS: Como ótimo guitarrista, tem alguém novo com quem você tocou que não esperava e tenha gostado? tem alguém com quem você não tenha tocado ainda, mas gostaria de tocar?

Catatau: Obrigado pelo ótimo guitarrista. Acho que eu sou uma pessoa satisfeita em relação aos trabalhos que faço, só toco com quem eu gosto e as pessoas que eu gosto me chamam pra tocar. Gostaria de fazer algo com o Scandurra que acabei de conhecer, com o Manu Chao que até já tiramos um som, mas muito informal, na real, as pessoas que admiro eu prefiro ver fazendo do que tocar junto.

PPS: O que você acha da "panela" que se formou em São Paulo (Instituto, Mamelo Sound System, Nação Zumbi, Céu, etc). Como eles compartilham os seus sons?

Catatau: O que posso falar? Nessa panela eu também como, são todos meus amigos, que eu trampo junto e que sãopessoas bem talentosas e até acredito que não exista uma panela proposital, mas amigos que se identificam são assim sempre querem estar um perto do outro, o massa é que o povo ta pelo mundo e não se fecha.

PPS: O que você anda ouvindo ultimamente (novo/velho, nacional/internacional) e o que você indica?

Catatau: Escuto muita coisa:
Raul Seixas, Richie Ravens, Santana, The Cure, Roberto Carlos, Alcione, Black Sabath, Frumpy, Rod Stewart, Ali Farka Toure, Bee Gees, John Frusciante, Legião Urbana...Eu indicaria tudo isso ai e um pouco mais.

PPS: Em algumas das músicas do Cidadão Instigado eu noto como tema o preconceito (O Pobre Dos Dentes De Ouro / O Pinto De Peitos / O Verdadeiro Conceito De Um Preconceito), qual a sua opinião sobre o preconceito? Como deve ser combatido, penalizado?

Catatau: Minha opinião tá nas letras, é exatamente o que sinto, qualquer tipo de preconceito é ao meu ver repulsivo, e ninguém esta livre de sentir ele até contra si mesmo, a policia tem que ser interna.

PPS: Você acha que o Brasil é um país desprovido de preconceitos, como muitos dizem ser, ou concorda comigo que pelo contrario, existe muito preconceito, e no dia-a-dia fora da mídia ele não faz questão de se esconder?

Catatau: O preconceito é um sujeito cego, você as vezes sente sem saber, todo mundo de alguma maneira sente ele em si. O desapego total seria a única maneira dele não existir, mas acho impossível, pois somos seres humanos cheios de defeitos e certezas.

PPS: Por último um pergunta "idiota":
Por que CATATAU?


CATATAU: Foi no colégio quando eu tinha 14 anos, era o menor da sala e sempre tive essa voz fanha, enfim...
valeu e desculpa a demora
abs!

PPS: Muitíssimo obrigado Catatau!

Downloads:
2002 - O Ciclo Da Dê.cadência (Instituto)
2003 - EP
2005 - Cidadão Instigado E O Método Túfo De Experiências (Slag)

2 comentários:

Eu Ovo disse...

Ficou muito legal essa entrevista Law.
Faltou os links para download, não?
Na verdade não importa nem um pouco - ficou legal mesmo.

abração

Law disse...

Grande Eu Ouvo,
já coloquei os links!
abçs