Mostrando postagens com marcador *Entrevistas*. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador *Entrevistas*. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de maio de 2009

A outra entrevista de Caio Bosco

Fotos: Pedro Martins

Bem, primeiro eu quero registrar aqui o imenso prazer em publicar essa entrevista, sou fã do Caio desde que vi há alguns anos atrás o Jornal Da MTV Apresenta Bandas Novas (ou outro nome parecido) em que o Radiola Santa Rosa participou;



Uma outra coisa, esse “estilo” de entrevista com poucas perguntas e mais temas para serem respondidos de forma livremente surgiu de uma dica do Bruno do blog amigo (que tem excelentes entrevistas) Eu Ovo.


Pra terminar, há algumas semanas o Tiago Jucá (revista/blog/Twitter/etc O Dilúvio) fez uma ótima entrevista com o Caio (por isso do titulo ser A outra entrevista de Caio Bosco), então eu “montei” essa de forma que fosse “uma parte complementar” da entrevista do Jucá, então eu sugiro que você leia antes ou depois a entrevista para O Dilúvio, é só clicar aqui. Eu acho que acabei em alguns momentos abordando temas já abordados na entrevista para O Dilúvio, foi por distração.

“E vamô que vamô que o som não pode parar”



PPS: Diferenças Radiola Santa Rosa X carreira solo

CB: Vamos transpor para um ambiente gastronômico: Imagina aquele dia que você chega na sua casa com uma fome daquelas e nem na geladeira e nem na dispensa tem nada pronto, nada pré-preparado. Você pega tudo o que tem na cozinha e cria um rango que vai matar a sua larica, mas seria impensável para qualquer ser que tenha estômago, isso é o Radiola!

A minha carreira solo eu vejo com um jantar que você vai preparar pra conquistar o seu amor, você sabe exatamente o que tem que fazer para conquistá-la pelo estômago, mas talvez não tenha todos os ingredientes disponíveis, mas com amor no coração você improvisa alguns elementos e o prato final sai, com uma longa noite de amor como recompensa.

Em poucas palavras com o Radiola eu não sabia bem o que eu queria, apenas o que eu não queria. Com a minha carreira solo eu sei exatamente o que eu quero e o que eu não quero.


PPS: Como foi a idéia da música Eu Não Quero Ser Sua Garota Nunca Mais, onde você fala sobre duas garotas na Popscene?

CB: Popscene era uma balada aqui da baixada produzida pela Flávia Durante e pelo Hector, lá iam algumas garotas lésbicas e numa das vezes que eu fui, ouvi duas supostas namoradas brigando por conta de uma assumir e outra não suas preferências sexuais, tempo depois me apaixonei por uma garota que me deixou para ficar com outra mulher, mediante a essa influencia, inspiração e dor, resolvi fazer essa canção. Na maior parte do meu tempo eu me sinto uma mulher, mas uma mulher que é louco por meninas!


PPS: Ao meu ver, você fala em suas músicas, desde o Radiola Santa Rosa sobre temas não muito populares (do qual eu sou adepto a alguns) no Brasil, como meditação, o budismo, tai chi chuan, Vashti Bunyan. Sendo assim, você acha que o público alcança a “real mensagem” das músicas?

CB: A real mensagem da minha música são os meus sentimentos, para ser tocado por um sentimento palavras não são necessárias. É claro que se a pessoa entende o que falo nas minhas letras desfrutara da minha experiência completa, mas entendendo o meu feeling já não me faz me sentir só num mundo tão cheio.


PPS: Inspiração das composições/estilo das músicas (de onde surge o tema e como você decide o "rítimo" da música)

CB: Influências e mais influências, vivências e mais vivências, dores e mais dores, experiências e mais experiências .


PPS: Disco novo: o que esperar dele? Uma continuação do Diamante EP ou um caminho distinto?

CB: O meu disco esta em fase final de mixagem, ele foi produzido, gravado e quase todo tocado por mim mesmo, mas com participações de Emerson Tripah na guitarra, DJ Beto Machado nos toca-discos, Juca Lopes em alguns efeitos de percussão. As minhas músicas foram mixadas por um time de prima, Quim Vasconcelos (Maskavo, Argila Music), (Alexandre) Basa (Turbo Trio, Mamelo Sound System, Black Alien) e Buguinha Dub (Cidadão Instigado, Lucas Santtana, Eddie, Nação Zumbi)


PPS: O que você pensa sobre o futuro da música (os lançamentos, o CD ainda tem futuro? Vai ser mais comum o lançamento de músicas soltas/singles na internet? O vinil continuará “sendo imortal”)?

CB: Tudo é tão confuso que não penso mais no futuro, nem do meu e muito menos o da música. Quero o presente, quero fazer o (meu) presente!


PPS: Shows, como estão sendo, qual a reação do publico, o que rola fora as músicas do Diamante EP?

CB: Eu estou gostando bastante da execução ao vivo das músicas, estou com uma banda bem competente, fora as músicas do meu EP, estou tocando as músicas que sairão no meu álbum solo, uma musica que vai sair no disco da "Geração SP" , um cover de On The Beach do Neil Young, I've Been Workin do Van Morrison e uma versão de Everyday do Jamiroquai que estamos preparando para algumas ocasiões especiais .

PPS: O que encontramos na “sua biblioteca” e nos seus discos/MP3?

CB: Estou lendo um livro que reúne críticas do Lester Bangs chamado de Reações Psicóticas, mas gosto muito de Gary Snyder, Amos Tutuola, Miguel Angel Asturias, Susan Sontag, Symon Reynolds, Naomi Klein.

Discos é mais difícil, ouço muita coisa e de forma compulsiva, mas vamos tentar: Tenho ouvido Live/Dead do Grateful Dead, Get Up With It do Miles Davis, há dois anos que não paro de escutar o Grace do Jeff Buckley, Starsaillors e Greetins From L.A. do Tim Buckley, os discos da primeira metade dos anos 70 do Van Morrison, Stand do Sly and Family Stone, Music has The Right To Childrens do Boards Of Canada, Maps What is Effort do Telefon TelAviv, I Do Not Play No Rock'n Roll do Mississippi Fred McDowell, Willie's blues do Willie Dixon e por ai vai...

PPS: Pra finalizar sinta-se livre pra dizer o que quiser (mandar um recado, agradecimento, divulgar alguma coisa, falar algo interessante que não foi citado)

CB: Depois de tanto, quero aproveitar essa liberdade para ficar calado, rsrsrs

My Space do Caio

Blog do Caio

Twitter do Caio

domingo, 24 de agosto de 2008

Entrevista - Lua

Segue entrevista da cantora Lua para o blog Eu Ovo, "emprestada" ao Pendurado Para Secar.
A famosa casa da Dona Nilda. Esse foi o cenário onde a Lua cresceu. Na época ela era só a Luana, sobrinha do Dudu, Didiu e Godela. O Dudu é guitarrista e tocava com a banda 'Exquadrilha da Fumaça'. O Didiu sempre foi ligado ao desenho e hoje em dia já fez clipes para os 'Ratos de Porão', 'Capital Inicial' etc e tal. Já o Godela sempre foi mais esportista e criou a ginástica natural 'Integral Bambu'.
Então foi nesse cenário que a Luana cresceu, cercada de toda a galera que visitava a casa da Dona Nilda, como músicos, desenhistas, cineastas, DJs, atores e até atletas. A mãe da Luana, filha da Dona Nilda, irmã do Dudu, Didiu e Godela, morava em São Paulo e também vivia cercada de artistas. Por isso, a casa da Dona Nilda era sempre cheia de gente.
As tardes passavam rápido na casa da Dona Nilda, assistindo filmes com Didiu, ouvindo rock com o Dudu, ou pulando na cama elástica do Godela.
Foi então que a Luana cresceu e virou a Lua e até gravou um disco solo recém-lançado pela Ôlôko Records, e teve participações especiais de gente como Lenine, B. Negão, Edgar Scandurra, Marcos Suzano, e todo pessoal da metaleira do 'Funk como Le Gusta'. Sem falar na produção de Ale Siqueira.
O disco tem um repertório cuidadosamente escolhido para caber na voz grave e quase rouca da Lua. O repertório trás escolhas ousadas com canções como 'Maracatu de tiro certeiro' de Chico Science e Jorge Du Peixe, 'Seres Tupy' de Pedro Luís, 'Argila' de Carlinhos Brown, 'A rede' de Lenine e 'Tambor' de Chico César.
No repertório do show, Lua canta as músicas do disco com alguns sucessos de Bob Marley e outros grooves. Nos shows ela é acompanhada por Daniel Ganjaman (do Instituto), no teclado, programações, efeitos, kaosspad e backing vocais; Junior Boca na guitarra; Dj Keffing nos scratches; Abuhl Jr. na percurssão; Nelson Viana na bateria e backing vocais e Demetrius Carvalho no baixo. Ah, e como se não bastasse toda essa galera, ainda veio o Buguinha para mexer na mesa de som.
Saiu uma resenha sobre o disco na 'Rolling Stone' e a Luana estava lá na casa da Dona Nilda mostrando pra todo mundo, toda orgulhosa, entre um filme e outro, ouvindo rock, pulando na cama elástica e dando boas gargalhadas pelo quintal.
Você quer ouvir a gostosa gargalhada da Lua? Ouça 'Obrigado (Por ter se mandado)'. Ouça também 'Dias de paz' ou 'Se tudo pode acontecer'. Ouça a Lua chegar de mansinho e conquistar sua atenção com sua voz de veludo e o ritmo dançante dos arranjos de Alê Siqueira. Leia também o que a Lua tem a dizer sobre outras coisas mais.
Eu Ovo: Como foi que você começou a carreira?
Lua: Desde muito pequena já pensava em fazer algo diferente, e sempre gostei de cantar. Conhecia algumas pessoas do meio musical e bem cedo, muitos amigos já tinham bandas em Brasília. Comecei como backing vocal dessas bandas e aos poucos, fui percebendo que era isso que eu queria fazer pro resto da vida. Sempre senti muita vontade mas achava tudo muito complicado. O grande impulso na minha carreira foi quando me mudei pra Florianópolis, e tocando de forma totalmente despretenciosa na casa de um amigo, conheci minha empresária Biba Berjeaut. Com a ajuda dela comecei a me dedicar mais e enxergar a música não só como prazer, mas também como uma profissão.


EO: Você começou numa banda de forró, não foi? Que banda foi essa mesmo? Você considera uma mudança de estilo o rumo da sua carreira agora?

L: Comecei como backing vocal de bandas de reggae, mas como cantora tive em Brasília uma banda de forró chamada 'AS MINAS DO REI SALOMÃO', com outras cinco amigas e um amigo. Isso foi em 2000 e a banda durou dois anos. Vivi uma época bem intensa com o forró na minha vida. Acredito que essa mudança de estilo aconteceu naturalmente pra mim, a medida que fui conhecendo outros estilos e recebendo outras influências musicais. Sempre levarei comigo esta influência regional do forró, côco e maracatu. Somei essas infuências ao r&b, reggae, dub, soul e outros grooves que se tornaram uma marca no meu trabalho.


EO: Como foram as gravações do seu disco? Porque tiveram muitas participações, como Lenine, Marcos Suzano, Edgar Scandurra e B. Negão. Como você lidou com o fato de estar realmente cantando com gente que você costumava ver da platéia?

L: Como consequência de um longo trabalho em Florianópolis - junto à minha empresária - decidi que era hora de uma gravação mais profissional. Fomos encontrar o produtor Alê Siqueira em Salvador, procurando uma indicação para produzir o meu primeiro álbum. Quando nos conhecemos ele acabou topando produzir o trabalho, e acabamos agendando para o começo de 2005 em Salvador - cidade que ele morava. Quatro meses antes nos mudamos para Salvador, e lá tive reuniões semanais com o Alê em sua própria casa para a escolha de repertório e conversar sobre as participações dos músicos em cada faixa. Pra mim essa gravação se tornou uma faculdade, já que sempre fui intuitiva e autodidata. Quanto aos músicos e convidados do disco, acho que cada produtor tem o seu time, e a maioria dos músicos do projeto faziam parte da galera do Alê Siqueira - Marcos Suzano e Edgar Scandurra, por exemplo. As participações de Lenine e B. Negão eram uma vontade antiga minha, de tê-los em meu trabalho e fiquei muito feliz de poder concretizar esse sonho. Na verdade, ter essas pessoas no disco quebrou um pouco essa barreira entre o palco e a platéia e passei a encarar estes músicos como profissionais, que são iguais a mim. Muitos se tornaram grandes amigos. Do começo ao fim foi uma experiência maravilhosa.

EO: O que você ouve em casa?
L: Meu gosto musical sempre foi muito eclético. Gosto muito de Erykah Badu, Damian Marley, Nneka, Estelle e Ms. Dynamite. Tenho ouvido alguns trabalhos atuais que conheci em Sao Paulo, como Curumin, Otto, Instituto e Guizado. Tambem adoro Lenine e B. Negão e os Seletores de Frequência.

EO: Como tem sido a recepção do público na turnê do disco novo?

L: O público tem aceitado super bem nos lugares onde a gente tocou e ver as pessoas dançando e sorrindo nos shows me deixa muito feliz. Ainda não chega a ser uma turnê, já que tocamos em poucas cidades, mas pretendo rodar o mundo com esse show.

EO: Você acha que downloads pela internet prejudicam ou divulgam o trabalho do artista?

L: Eu encaro a internet como uma aliada. Se eu fosse compositora e não intérprete dessas canções que estão no disco, provavelmente disponibilizaria ele inteiro para download. Sou totalmente a favor da internet, pois acredito que ela tenha facilitado tudo. A meu ver, ela une as pessoas e só soma. Posso receber mensagens e me comunicar com pessoas do outro lado do mundo através do Myspace e ver minha música chegando em lugares que eu nunca fui. Vejo isso como uma conquista.

2008 Lua

1. Se Tudo Pode Acontecer
2. Brilho Do Sol
3. Piercing
4. Jogo Bom
5. Dias De Paz
6. Maracatu De Tiro Certeiro (& B. Negão)
7. Seres Tupy (& Lenine)
8. Argila
9. To Na Sua
10. Uma Ajuda
11. A Rede
12. Não Deveria Se Chamar Amor
13. Obrigado (Por Ter Se Mandado)
14. Tambor

Download (4Shared):
*Deixo aqui nosso agradecimento ao blog amigo Eu Ovo.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Entrevista - Dois Em Um

foto: Marina Novelli


É com prazer que posto aqui a nossa 2ª entrevista (tudo bem, não sei nem se terá a 3ª) do blog, dessa vez como Dois Em Um.

"O Dois em Um, projeto do casal de músicos Luisão Pereira e Fernanda Monteiro, foi tomando forma aos poucos, assim, como um hobby doméstico sem compromisso. Tudo feito em casa, qual comida de mãe, ou ver filme abraçadinho num domingo. Como apreciar o céu da capital baiana do jeito que os turistas não vêem. .
Quem os visse assim, tranqüilos e despojados, não imaginaria que Luisão já enfrentou várias correrias [foi guitarrista da Penélope, que gravou três discos na década de 90 - além de produzir novas bandas e fazer trilhas para cinema e publicidade] e que Fernanda é musicista da Orquestra Sinfônica da Bahia. Ela também já gravou e se apresentou com Kid Abelha, Moraes Moreira e Arnaldo Antunes, entre outros.
Mas bastaria escutar as músicas. Elas têm o poder de transportar o pensamento para debaixo de um cobertor, para um dia frio, para uma chuva gotejando na janela, e as árvores balançando lá fora. Uma brincadeira engenhosa, em que cada detalhezinho faz diferença, em arranjos bem trabalhados, com profusão de texturas e sonoridades e o jeito sereno de cantar.
No duo, Fernanda toca o violoncelo, canta com sua voz suave como brisa, um assovio. Luisão chega depois e canta junto suas letras de samba antigo, pega uma guitarra, depois o baixo, o violão, teclados e brinca de gravar e fazer programações no computador. As canções disponibilizadas no MySpace têm esse quê de subjetividade tecnológica, com um traço de melancolia atemporal. O resultado é humano, terno e carinhoso."

PPS: Como surgiu o Dois Em Um? Qual foi e de quem foi a idéia? Já existiam projetos anteriores?

Dois Em Um: Surgiu aqui na nossa casa mesmo, sem pretensão nenhuma. Na realidade eu estava compondo e gravando quando Fernanda começou a cantar do lado, era o que faltava na canção!
Já tocamos algumas vezes juntos, mas nada neste formato.


PPS: Como anda a divulgação da dupla? Estão tendo o retorno esperado, conseguindo publico?

Dois Em Um: Rapaz, as coisas andam muito maiores do que esperávamos. Realmente estamos muito surpresos com tudo.

PPS: Seria presunção minha achar que o Dois Em Um faz musica "meio" erudita com cara de música popular?

Dois Em Um: Acho que cada um pode ter a leitura que quiser do som que fazemos. Nos lisonjeia a sua visão.

PPS: Quais as influências de cada um e existe uma influência da dupla ou não, cada um gosta de coisas distintas e leva isso para dentro do projeto transformando em algo único dos dois?

Dois Em Um: Gostamos de muitas coisas em comum! Mas não há nada que possamos citar como influencia.

PPS: São quantos compositores? Todos escrevem, tocam? Tem gente de fora que contribui com o projeto?

Dois Em Um: Na dupla Luisão é que compõe todas as canções. Algumas ele fez em parceria com Mateus Borba e uma outra com Peu Souza.

PPS: Fora o Dois Em Um, quais os outros trabalhos/atividades dos integrantes?

Dois Em Um: Luisão é empresário e produtor cultural. Fernanda toca na OSBA, Orquestra Sinfônica da Bahia.

PPS: Eu vi acho que na comunidade do Orkut uma vez, não sei se estou enganado, que o EP não foi lançado com intuito de vendas. Existe o EP para vender, como o pessoal pode achar?

Dois Em Um: O EP foi uma tiragem limitada que acabou. Em agosto vem o disco cheio.

PPS: Perguntei no Orkut para Fernanda, se esse ano saia um disquinho novo, e ela disse que esperava que sim, e vocês já tem música nova disponibilizada no My Space. Então quero saber em que pé anda a produção do disco?

Dois Em Um: O disco já esta pronto e vai sair ao mesmo tempo por duas gravadoras, uma aqui e outra nos Estados Unidos.

PPS: O que cada um de vocês anda ouvindo ultimamente (novo/velho, nacional/internacional)?

Dois Em Um: Tanta coisa! rs. o Radiohead, Grizzly Bear, João Gilberto, Nick Drake, Múm, Samba antigo, Marcio Greyck, Stereolab, Sonic Youth, Beck, Smashing Pumpkins…

PPS: O fato de vocês serem casados ajuda ou atrapalha?

Dois Em Um: Ajuda!

PPS: Por ultimo, mandem um recado ai e deixem os contatos que vocês quiserem para o pessoal conhecer melhor o Dois Em Um e os seus outros projetos!

Dois Em Um: Moçada, obrigado por lerem a entrevista. Visitem o www.myspace.com/doisemum e caso gostem, mostrem pros amigos, namorado(a)s, parentes... ;)Abraços a todos!

PPS: Muitíssimo obrigado.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Entrevista: Fernando Catatau (Cidadão Instigado)

Introdução:
"Partindo do princípio de que a busca pela própria verdade é o mais importante, surgiu o cidadão instigado. um projeto idealizado por fernando catatau em 1994.

O ponto de partida para suas composições foram histórias que ele mesmo viveu e transformou em letras. a partir do que foi dito, criou-se a música. de forma triste, tensa, saudosa, psicodélica… levando o ouvinte a uma percepção musical a partir de uma imagem, seja de um sujeito, que por ser um pouco diferente, leva consigo as marcas do preconceito, ou de um pobre que pensa que colocando dentes de ouro, mesmo que falsos, vá se tornar mais bonito. momentos vividos, transformados em canções."


Formação:
Fernando Catatau: voz, guitarra e teclados
Regis Damasceno: guitarra, violão e vocal
Rian Batista: baixo e vocal
Clayton Martin: bateria acústica e eletrônica

Discografia:
2002 - O Ciclo Da Dê.cadência (Instituto)
2003 - EP
2005 - Cidadão Instigado E O Método Túfo De Experiências (Slag)


foto: Alisson Louback





Entrevista:


PPS: Primeiramente uma pergunta que deverá decidir se essa entrevista poderá ser postada no Pendurado Para Secar ou não: O que você acha do compartilhamento "ilegal" de músicas, filmes, livros...? Você acha que o "mercado cultural" tem que rever suas idéias ou é o compartilhamento "ilegal" que tem que ter um fim?


Catatau: Eu acho que o mundo caminha pra que todas as informações sejam compartilhadas é um caminho sem volta a custa do barateamento nós temos acesso a várias coisas, quem imaginaria que você escrevendo um nome e dando um clic num mouse você conseguiria ver tantas coisas como se vê hoje no You Tube? Lógico que no fim das contas tudo vai se perdendo, a qualidade não importa mais, e isso é algoaterrorizante, pois as pessoas vão perdendo o referencial do que é bom ou ruim, mas a informação ta ali. Na hora que se quer no final das contas é o que temos pra viver hoje.



PPS: Como é que você vê a atual cena (musical) independente do Ceará?


Catatau: Tem bastantes bandas novas, mas não é muito diferentedo que era nos anos 80 ou 90. O diferencial de hoje éque as trocas de informações ajudam, mas você chega emfortaleza e é a mesma dificuldade pra tocar, nesses últimos tempos alguns jornalistas meperguntaram sobre a cena cearense...Eu conheço algumas bandas, umas que gosto e outras quenão, mas o que eu percebo é que não existe ummovimento ou algo parecidocada um ta no seu mundo se dedicando e correndo atráse eu vejo isso como um ponto muito positivonão que eu seja contra movimentosmas as pessoas se fortalecendo separadamente podem setransformar em algo concreto.


PPS: Recentemente o Cidadão abriu um show do Tom Zé. O que você acha do Tom Zé no quesito musical, o experimentalismo dele, você considera ele um revolucionário? e por que você acha que ele é muito mais reconhecido no exterior? Lembrando que aqui no Brasil precisou um músico gringo famoso (que eu não me lembro quem é) dizer que o trabalho dele era muito bom para elecomeçar a ser valorizado.


Catatau: Eu fico até sem saber o que falar sobre o Tom Zé, é difícil falar sobre alguém que é muito bom e verdadeiro no que faz, acho ele muito foda. No Brasil é difícil as pessoas terem acesso a qualquer tipo de informação que seja um pouco mais “inteligente”, os responsáveis pelo país querem que o povo seja burro e apático, imagino que este seja um dos maiores fatores de todo tipo de arte não ser para o povo: é o medo das pessoas se rebelarem contra esse sistema fulero que a gente vive.

PPS: Qual o caminho para a música brasileira sair do marasmo que se encontra? Se é que você acha que ela se encontra num marasmo.

Catatau: Acho que tem muita gente fazendo coisas legais, muitas mais fazendo coisas horríveisacho que e necessário ser verdadeiro no que se faz, fazer musica sem pensar em mercadoo mercado já ta na nossa frente.

PPS: Essa próxima vai inteira da forma como foi elaborada, por um membro da comunidade da revista O Dilúvio, pois foi algo que aconteceu "com ele" então preferi nem mexer no texto, por favor comente:

"É interessante citar aquela *declaração do Lúcio Maia* que postei aqui e saber o que ele acha do download dE seus cd´s . Lembro que no início da comu do Cidadão Instigado ele detonou o fato da gente estar liberando os cd´s em mp3, cheguei até a compará-lo ao Lula que queria expulsar o jornalista americano que disse sobre o seu gosto pelo álcool. Lembro que os tópicos foram apagados e depois da reação da galera, ele acabou deixando ficar.Pergunta: Ele, tal qual o molusco, prefere ser essa metamorfose ambulante ?P.S.: Adoro o som do Catatau."

*Não achei a declaração "original" dele, mas ele reclamava do fato do disco da Nação Zumbi ter vazado na internet, e dizia que ai ninguém comprava e com isso a gravadora acabava e a banda acabava. Era mais ou menos isso. Agora se me permite, deixe-me fazer um parênteses com o fato de que o disco do Maquinado (projeto do próprio Lúcio Maia) foi para na internet pouco após ser lançado e só num link postado no blog Som Barato
, onde também foi postado o disco da Nação Zumbi, teve um grande número de downloads e ele (Lúcio Maia) em momento nenhum reclamou do disco estar na internet.

Catatau: Cabra, me desculpe, mas eu não entendi muito a pergunta eu ou o Lucio que detonamos o fato "deles" estarem botando nossas mp3 pra baixar?eu sempre fui a favor de liberar as musicas em mp3, então não deve ter sido eu, lembro que no começo da comunidade do Cidadão teve algumas pessoas que começaram a brigar dentro de umtópico e eu apaguei mas apaguei pelo simples fato de não concordar com discussões a toa eu sou a favor de download livre, se eu faço isso, porque vou criticar outros que fazem? lógico que se alguém comprar o meu cd e o dinheiro for pro meu bolso eu prefiro pois vivo disso e preciso pagar minhas contas, mas vai da escolha de cada um.
Quanto ao Lucio, tanto ele como o resto da galera devem saber o que é melhor pra Nação Zumbi, eu fui um dos que baixou o disco novo na internet e fico feliz toda vez que consigo descobrir alguma coisa nova e legal, pra mim só me incomoda a qualidade, tanto que nem escuto muito som em mp3 pois me soa agressivo, mas isso sou eu.


PPS: O que esta por vir de trabalho novo por ai? disco novo do Cidadão? o que você pode adiantar?

Catatau: Já estamos com o disco todo pronto em termos de composições e arranjos, devemos começar a gravar em junho se tudo der certo, estamos tocando algumas novas nos shows acho que o melhor é dar uma assistida no show pra ter uma noção.

PPS: Como ótimo guitarrista, tem alguém novo com quem você tocou que não esperava e tenha gostado? tem alguém com quem você não tenha tocado ainda, mas gostaria de tocar?

Catatau: Obrigado pelo ótimo guitarrista. Acho que eu sou uma pessoa satisfeita em relação aos trabalhos que faço, só toco com quem eu gosto e as pessoas que eu gosto me chamam pra tocar. Gostaria de fazer algo com o Scandurra que acabei de conhecer, com o Manu Chao que até já tiramos um som, mas muito informal, na real, as pessoas que admiro eu prefiro ver fazendo do que tocar junto.

PPS: O que você acha da "panela" que se formou em São Paulo (Instituto, Mamelo Sound System, Nação Zumbi, Céu, etc). Como eles compartilham os seus sons?

Catatau: O que posso falar? Nessa panela eu também como, são todos meus amigos, que eu trampo junto e que sãopessoas bem talentosas e até acredito que não exista uma panela proposital, mas amigos que se identificam são assim sempre querem estar um perto do outro, o massa é que o povo ta pelo mundo e não se fecha.

PPS: O que você anda ouvindo ultimamente (novo/velho, nacional/internacional) e o que você indica?

Catatau: Escuto muita coisa:
Raul Seixas, Richie Ravens, Santana, The Cure, Roberto Carlos, Alcione, Black Sabath, Frumpy, Rod Stewart, Ali Farka Toure, Bee Gees, John Frusciante, Legião Urbana...Eu indicaria tudo isso ai e um pouco mais.

PPS: Em algumas das músicas do Cidadão Instigado eu noto como tema o preconceito (O Pobre Dos Dentes De Ouro / O Pinto De Peitos / O Verdadeiro Conceito De Um Preconceito), qual a sua opinião sobre o preconceito? Como deve ser combatido, penalizado?

Catatau: Minha opinião tá nas letras, é exatamente o que sinto, qualquer tipo de preconceito é ao meu ver repulsivo, e ninguém esta livre de sentir ele até contra si mesmo, a policia tem que ser interna.

PPS: Você acha que o Brasil é um país desprovido de preconceitos, como muitos dizem ser, ou concorda comigo que pelo contrario, existe muito preconceito, e no dia-a-dia fora da mídia ele não faz questão de se esconder?

Catatau: O preconceito é um sujeito cego, você as vezes sente sem saber, todo mundo de alguma maneira sente ele em si. O desapego total seria a única maneira dele não existir, mas acho impossível, pois somos seres humanos cheios de defeitos e certezas.

PPS: Por último um pergunta "idiota":
Por que CATATAU?


CATATAU: Foi no colégio quando eu tinha 14 anos, era o menor da sala e sempre tive essa voz fanha, enfim...
valeu e desculpa a demora
abs!

PPS: Muitíssimo obrigado Catatau!

Downloads:
2002 - O Ciclo Da Dê.cadência (Instituto)
2003 - EP
2005 - Cidadão Instigado E O Método Túfo De Experiências (Slag)

terça-feira, 18 de março de 2008

Entrevista - Maurício Pereira

Pronto! Daqui na Praça da República vai ser fácil encontrar o Calanca, que é o único cara que com certeza vai ter o novo disco do Maurício Pereira. Pra quem não sabe, ele formou o Mulheres Negras junto com o André Abujamra e depois seguiu carreira solo.


Tudo certo e o novo disco no som do carro, fomos todos procurar um caminho para a Liberdade. Eu tenho minha musa sentada ao meu lado, os guris no banco de trás e sem tempo pra pensar a vontade se estou no sentido correto da avenida São João, indo pra Liberdade, ou para alguma padoca em Santa Cecília. O vale do Anhangabaú logo em frente me pega de assalto, é o sinal que estou no caminho certo, mas ainda faço muitas voltas até encontrar a Liberdade.



Passeamos pelas ruas da Lapa de carro, tomamos café e seguimos viagem vendo o amanhecer da Vila Ipojuca. O disco ainda tocando no som do carro, mas já estamos passando pelos pedágios da Bandeirantes, seguindo pra Minas, 'sêboláh', como cantam as crianças no banco de trás. A viagem segue com uma chuva fina e forte que impede uma visão plena da estrada, mas como estou já na Anhanguera sigo em frente, pra Marte, pra qualquer parte.



Já estou chegando em Americana quando ouço um causo de assombração, e o Visconde não responde nenhuma das questões existenciais, mas é a melhor canção do universo do Lobato que eu ouvi até hoje. As crianças acordam a tempo de ouvirem o teco-teco amarelo em chamas pela janela e cantarolarem a melodia. Porque você sabe, né? As crianças têm ouvido musical e respondem às canções muito mais que os adultos, sejam elas de truques com facas ou sobre penhascos íngremes de poesias.



De modo que quando o dourado aparece já estou em Ribeirão a meio caminho de casa e as crianças adormecendo novamente no banco de trás.



Ouvir o disco do Maurício Pereira é isso, ver-se inundado de imagens de todos os cantos e influências desse mundão enorme. O Maurício já gravou três discos solo, sem contar com participações nos discos de vários parceiros musicais, como o Abujamra no Karnak e na carreira solo.



Maurício Pereira lançou o 'Pra Marte', no qual ele retoma o lado autoral de sua carreira. Seu último disco havia sido com regravações de canções que um dia todos nós assobiamos.



Mas não adianta, que em seu disco recente não conseguimos mais parar de assobiar suas canções.



Melhor perguntar pro Maurício algumas coisas, vai que ele responde mais rápido que o Visconde...



ENTREVISTA CONCEDIDA PARA O BLOGUI EU OVO - MAS GENTILMENTE CEDIDA AO PENDURADO PARA SECAR:



Eu Ovo: Quando é que os Mulheres Negras vão gravar mais um disco? Fazer turnê? Enfim, se reunir de uma vez por todas?



Maurício Pereira: Taí uma boa pergunta… A gente vira-e-mexe tá tocando junto. O André cantou no meu disco, em fevereiro dei uma canjona no lançamento dele. O Mulheres toca na Virada Cultural em SP, fim de abril. Mas fazer disco mesmo, eu não sei quando. O André tá lançando o disco, eu tou lançando o "Pra Marte". Fora isso, o André tá morando em Curitiba, tá difícil a gente se ver… Ou seja, nós vamos ter q fazer o Mulheres via internet por uns tempos. Mas uma hora vai sair, sem pressa. Ou com pressa.



EO: Em 95, você tinha o show com a banda, que gravou o disco 'Na Tradição', mas também tinha o projeto só você e o piano do Daniel Szafran, que acabou virando o 'Mergulhar na surpresa'. Quais os projetos que você toca atualmente?


MP: Eu tou tentando ter os shows de todos os meus discos em cartaz, cada um com sua banda, seu repertório, seu espírito. Então, eu faço o "Mergulhar" c/o piano do Daniel Szafran. Aí tem o "Pra Marte" de 2 jeitos: com banda e só c/violões. Com o Turbilhão, q é a banda q gravou o "Canções" comigo, eu faço shows especiais, tipo: no Carnaval fiz um baile de marchinhas; outro show é só de músicas do Adoniran; tem um q eu só toco Erasmo Carlos; tem um show gigante q eu faço em festas italianas aqui em SP, em q eu canto pop italiano dos anos 60. Ou seja, meu repertório de shows é bem variado, um é diferente do outro. Dá uma certa canseira na cabeça, mas é bom.

Mas minha prioridade mesmo este ano é viajar com o Pra Marte.



EO: Com os shows do novo disco, o 'Pra marte'. Como o público tem reagido? Como vocês, músicos têm reagido?


MP: O público tem prestado uma atenção danada, tem se entregado, as letras são grandes, densas, é um trabalho da emoção mais interna, acho q tá pegando as pessoas por aí, pela atenção e pela emoção. Fora isso, a banda é bárbara. O Tonho Penhasco e o Luizinho Waack são 2 guitarristas muito especiais, muito criativos, tem uma história importante no pop paulistano, tocaram com deus e o mundo, inclusive com o Itamar Assumpção… Armei a banda pra deixar eles 2 muito livres. Então, eles acabam empolgando o público, pque tocam muito, um show não é igual ao outro. O baixista é o Mano Bap, produtor, compositor, um cara de muita idéia. O batera é o Leandro Paccagnella, um cara técnico e sangue quente q segura a banda viajandona aqui no chão do planeta. Neste disco, passei muito tempo explicando pros músicos qual é viagem a de cada música, qual o clima, a emoção, a abordagem. Eles sacaram muito bem a onda e tão fabricando esse clima pra mim. Como me disse outro dia o Mano, baixista, a idéia é fazer uma trilha sonora pras histórias das letras. Tá sendo um trabalho interessante, tamos aprendendo um bocado, e o público tem entrado na onda.



EO: Qual é a diferença dessa banda, do disco novo, para a banda do 'Na tradição' ou para o 'Turbilhão de Ritmos'?


MP: Eu sempre mudo de banda ou de formação a cada disco. Pra ter um clima diferente, pra mudar a pegada, pra deixar o som bem diferente dum disco pro outro.

A banda do "Na Tradição" reagia como uma banda de rock. Desciam o braço, era uma banda q tinha muita garra. O som tinha aspereza, e era isso o q eu buscava ali, fazer som de branco, mais pegada, menos suingue. Era uma banda muito especial: faziam cada show como se fosse o último.

Já no "Mergulhar", a alma do disco é o piano do Daniel Szafran, q é um músico selvagem, a gente tem um entendimento total no palco, a velocidade é altíssima. Q nem c/o André nos Mulheres. Enfim, ele é o motor desse disco, um motor V8…

O Turbilhão (q gravou o "Canções"), ao contrário, caiu pronto na palma da minha mão, meio sem querer. A banda já existia no programa "Fanzine", q o escritor Marcelo Rubens Paiva apresentava na TV Cultura nos anos 90, e eu era vocalista. Lá, cantamos mais de 600 canções brasileiras de todo tipo: brega, baião, bossa nova, rock, axé, noel, chico, raul, tudo… Então, é meio q uma banda de baile, só q ao mesmo tempo é uma banda meio intelectual, pque eles não fazem cover, eles piram em cima dos originais. E com eles eu não canto nada meu. Os shows do Turbilhão, como eu falei, são temáticos, são festeiros. Catamos um repertório e fazemos. Já teve show só com música sobre futebol, sobre carro, sobre comida… Além disso, são músicos q tocam juntos há muito tempo, conhecem muita música, ouviram rádio na mesma época, não têm medo da música, do palco, do improviso.

A banda do "Pra Marte" trabalha numa outra frequência. Todos são produtores, têm experiência em dirigir outros artistas. E são músicos c/uma viagem interior muito forte, caras capazes de contar uma história tocando. E é isso q o Pra Marte exige: uma banda q traga clima, comente as letras q eu tou cantando. Pra isso precisa muita concentração, muita criatividade, precisa saber ouvir, entender o q eu tou cantando naquele momento. Acaba sendo bem diferente dos outros trabalhos (embora o Tonho e o Luiz toquem no Turbilhão tbem, o trabalho deles lá é completamente diferente).

Pra resumir: pra mim, assim como é importante registrar minhas músicas num disco, é super importante registrar o trabalho único e especial de cada um desses músicos, q sempre têm um papel de destaque no meu trabalho. Eu chamo eles pra a responsa de criadores, e eles vêm.



EO: Você se considera poeta? Digo isso por causa das suas letras sobre o cotidiano.


MP: Eu acho q sou o típico compositor brasileiro, viralata e refinado, não é assim q é? Principalmente letrista e melodista. Mas meu método de fazer uma canção varia muito. Às vezes penso q nem poeta, como em "Compromisso", do "Na Tradição", ou "Milho", do Mulheres. Em "Trovoa", do "Pra Marte", eu funcionei como se estivesse fazendo um road movie. Em "O Dourado", do "Pra Marte", eu raciocinei q nem os velhinhos q fazem moda de viola. Em "Mergulhar na Surpresa", no disco do mesmo nome, eu fui um fotógrafo. O método varia. Uma sugestão q eu dou pra vcs se quiserem saber mais do processo de fazer letras, é ir lá no meu myspace e clicarem no blog debaixo do jukebox, em "Diário do Pra Marte: faixa-a-faixa". Lá eu conto um pouco como cada música veio.


EO: Você já assistiu o sol nascendo na Vila Ipojuca? E tantas outras imagens cotidianas das suas músicas? De onde elas vêm?


MP: Já vi esse sol lá… Umas tantas coisas eu vi, acho eu. Mas trabalho mais com a lembrança do q c/a fantasia. E como tenho a memória meio ruim, acabo fantasiando um bocado as minhas lembranças… E acabo lembrando de coisas q eu nunca vi, misturo tudo. Eu ando muito a pé pela rua, sozinho, por todo lado, lugares comuns, óbvios, q o turista ou o purista jamais iam reparar, funciono meio como um viralata. Já rodei muito o país, de carro, de trem, de moto. Sem buscar nada em especial. Simples amor pela estrada. Ou pela calçada. E pelo cidadão comum e suas coisas comuns. Nem é o herói, nem é o fudido, ele nem sempre tá numa letra de música, as coisas q ele faz nem sempre rendem poesia. Mas é onde parece q não tem arte q eu quero ver a onça beber água. Me desculpa o lugar comum, mas tem muita força nas no óbvio, na rotina, no cotidiano. A batalha é falar disso s/ser piegas ou mané.



EO: Quando você fez o 'Modão de Pinheiros', você descreveu uma caminhada pelas ruas de São Paulo. Em 'Trovoa' do novo disco, você faz a mesma coisa, e também de certa forma em 'Motoboys, girassóis etc e tal'. Como é sua relação com essa cidade?


MP: Eu rodo muito, ando muito. Desde pequeno. Minha mãe me levava muito pro centro da cidade, ia de ônibus, descia no Anhangabaú, andava um monte no centrão. Aí, uma época, ela trabalhava na rua, de carro pra todo lado, vira-e-mexe eu tava junto. E ia conhecendo a cidade, os bairros. São Paulo é muito grande, e cada bairro tem uma tribo bem diferente da outra. Tem a zona oeste, mais papo cabeça, tem a zona leste, com seu sotaque. Tem bairro q tem muito japonês, tem bairro mais negro ou nordestino, tem bairro q tem mais velho do q moço. Tem lugar mais fashion, tem lugar q é só caminhão.

Fora isso, como artista, eu tento entender o q é ser paulistano, pque fora do Brasil as pessoas estranham muito a música de SP enquanto música brasileira (ultimamente não tanto, já q os DJs e o rock brasileiros têm rodado o mundo), o Mulheres foi pra Portugal no fim dos anos 80, e eles estranharam demais a gente. Mas afinal, eu sou branco, neto de italiano, fui criado ouvindo jovem guarda, cabeça urbana. Se eu for pro Texas ou pro sertão do Cariri, eu tou em casa nos 2 lugares. E também não estou… Então, o paulistano é um cara meio sem passado e sem pátria, até pque SP só ficou importante na metade do século 19, antes era um lugar muito pequeno, meio bronco, as pessoas não falavam português aqui, e sim língua geral (um tipo de tupi). O Barroco passou ao largo de SP. Quer dizer, é uma cidade muito nova, se a gente comparar c/Rio, São Luiz, Recife, Salvador, Ouro Preto. A cidade cresceu com os italianos, japoneses, com a indústria, a ferrovia, o rádio, o cinema, explodiu no século 20. Aqui não tem muito bucolismo, muita malemolência, tamos pra baixo do Tropico de Capricórnio: SP não é na zona tropical, já pensou nisso?

Ou seja, não parece muito c/o lugar-comum q se tem do brasileiro. Mesmo dentro do Brasil, tem uma certa defesa contra essa brasilidade meio gringa, estressada e arrogante da cultura de SP. Mas é a nossa maneira de expressar o país, né?

Então eu tenho q lidar com isso, descobrir de onde eu vim, desvendar a maneira paulistana de ser brasileiro.



EO: Em 'Ser-boi' você canta Minas Gerais, mas também lembra da velocidade nas ruas de Brasília.. Como é sua relação com Minas Gerais e Brasília?


MP: Eu amo Minas. Se eu pudesse eu me naturalizava mineiro. Sempre q eu posso viajo pra lá. Tem um caráter introvertido q combina comigo. É mais lento q SP, tem um outro sabor, tem muita história, muita tradição, muita sutileza. Cachoeira, cachaça e tutu. Rock e silêncio. Uma época eu tive uma moto, catava umas trilhas por aí e ia pro mato, fiz duas grandes viagens por lá: Mantiqueira e Canastra.

O Brasil é realmente um tesão de país, mesmo c/toda a injustiça e pobreza q rolam, o povo é maravilhoso, tem uma riqueza interior gigante, a cultura é muito forte. Mas Minas, como eu disse, combina c/a minha introversão. E "Ser Boi" é isso: contemplação e muita minhoca na cabeça, ou seja, filosofia pura…

Já Brasília, pra mim, é um lugar místico. Tá no centro do país, tá no centro do poder, o plano piloto é um lugar surreal prum paulista, c/aquela organização toda. Nos anos 90 fui pra Brasília mixar o cd dos lendários Cachorros das Cachorras. Pedi a grana da passagem de avião e gastei em gasolina: fui de carro, parando em todas – eu disse todas – as cidades do caminho (e até fora dele…). Pedregulho, Guaxupé, Pires do Rio, Uberaba, o escambau. Talvez ali eu tenha visto os carros voando pra Brasília na BR. Foi tipo uma peregrinação pro centro do Brasil, tipo fazer o Caminho de Santiago de carro, um road movie solitário, ouvindo rádio, ficando quieto, dormindo em pequenos hotéis, vendo o planalto aparecer aos poucos, sentindo a secura: passei o 7 de setembro em Brasília… Topei com uma cidade ainda mais jovem q a minha, absolutamente próxima do poder e seus efeitos colaterais, meio q vi o Brasil resumido ali, pro bem e pro mal, de Cabral até hoje, com aquele horizonte todo…

Foi uma peregrinação pro interior, aberta, silenciosa, reverente, desmistificadora. Voltei pra casa diferente.



EO: Você sempre teve uma ligação forte com música para crianças. Você fez a música 'Mau' no 'Castelo Rá-Tim-Bum', e cantou 'Cogumelo' no disco 'Roda gigante' do Gustavo Kurlat. Sem falar na melhor canção sobre o Visconde Sabugosa, que está no seu disco novo, que também tem 'O dourado', que era para o público infantil... Você tem outros projetos de músicas para crianças? Tem planos para isso?


MP: Não tenho planos, mas gosto muito de fazer. Nos anos 80, o Thayde me dizia q eu tinha voz de desenho animado, acho q ele tem razão, acho q é por isso me chamam pra cantar. Fora isso, compor ou cantar pra criança solta um pouco a fantasia, dá pra usar a música de jeitos mais tontos, criar um monstro ou outro, sentir um medo ou outro, brincar um pouquinho. E eu tenho 3 filhos, passei um bom tempo criando moleque pequeno, tentando me comunicar com eles. Acho q o melhor jeito d trocar uma boa idéia com criança é tentar não ser xarope, pque d modo geral, criança é bem mais esperta q adulto (e isso não é uma mera frase de efeito…).



EO: Como é a vida de músico independente? Isto é, tem que se virar fazendo de tudo um pouco, como trilha e publicidade...


MP: Tem q se virar feito louco. Ainda mais eu, q tenho filharada pra criar… E cada ano é diferente do outro. Tipo: qdo tem disco novo, tem q correr atrás de show e viajar, e isso não tá fácil. Qdo não tem trabalho novo, precisa arranjar coisas pra fazer pra ganhar dinheiro ou pra não ir pro hospício, se é q vc me entende…

Então, cada vez mais, tenho feito coisas fora da música, embora perto dela: fiz a pesquisa e as entrevistas pruma série de DVDs sobre música do Itaú Cultural (entrevistei Nei Lisboa, Berimbrown, Katia B., Chico Cesar, Mombojó, Porongas, Mantiqueira, Quaternaglia, Dona Edith do Prato, Marku Ribas, e mais um monte de gente). Faço locução em comerciais e documentários. Dou palestras e oficinas sobre música pop, produção independente, produzo disco, dirijo show, trabalho como ator, dublador. E assim vai. Se me convidarem pra apresentar baile de debutante eu tbem vou. Um artista independente brasileiro tem q se virar, fazer um pouco de tudo, acho eu. Chaveiro, encanador e eletricista, sabe como é?



EO: Isso inclui também atuação? Com foi fazer o comercial da Nextel? Como Franco... Porque foi uma série, não foi?


MP: Pois é, atuação…

Não parece, mas ali no Mulheres a gente foi ator pra burro. Vira-e-mexe tem um convite pra atuar, num comercial, numa peça, ou até em novela. Anos atrás trabalhei com Os Parlapatões num espetáculo musical q virou um DVD lançado pela gravadora Atração, chamado "Os Reis do Riso". Foi uma experiência bárbara, uma outra maneira de estar no palco, sob a maravilhosa direção do Hugo Possolo. Os 2 anos q trabalhei na TV Cultura, no "Fanzine", tbem foram uma grande escola. O programa era diário e ao vivo, e eu fui pegando o reflexo de lidar c/a câmera, onde ela tava, pra onde ela ia, o timing rápido de TV, a noção do meu enquadramento, essas coisas. Pra fazer o Nextel isso ajudou muito. Fora isso, no Mulheres a gente se dirigia, se roteirizava. Então, no Nextel eu fui fabricando o personagem junto c/o diretor dos filmes, o Tonico Melo, da O2 (do Fernando Meirelles), achando um tom pro Sr.Franco: como ser crica s/ser escroto. E ter a experiência de se ver num baita estúdio c/uma equipe de 60 pessoas em função de você não é pouca coisa, tem q ter muita concentração, saber usar a adrenalina, tem q ser disciplinado mas não pode deixar a maluquice de lado.

Enfim, essa história de atuação eu vou aprendendo a toda hora, já q eu não tive escola: nos shows, nos comerciais, nas locuções, vendo atores trabalhando. Cada experiência q pinta é uma escola nova.



EO: Como foi essa história do show na internet? Que tipo de sites você costuma acessar?


MP: Em 96 me apareceu um moleque de 16 anos q disse q dava pra fazer show via internet. Eu achei ótimo, não pque eu fosse algum fanático por tecnologia ou quisesse ser hype, mas pque nos anos 90 não tinha espaço nenhum na mídia pra artista independente nenhum: o jornal não falava, a tv não divulgava, o rádio não tocava. Zero. Então eu pulei pra dentro da internet. Fui um dos primeiros artistas a terem site e email, eu já tinha isso em 94, 95. Aí fizemos o show, e o cara inventou uma maneira criativa de fazer rolar, s/grana, c/a ajuda da USP e um servidor americano de Real Audio, mais 2 computadores 486 e 2 linhas telefônicas. Acho q entraram umas 20 mil pessoas, algo assim. Pra a época, isso era muito. A internet nos anos 90 era uma mídia alternativa, não é como é hoje, q ela tá no poder (e o poder tá nela…). Em 96 não existia Uol, nem Google, não existia mp3… Não tinha banda larga, nem YouTube, nem MySpace, nem MSN, nem Orkut, nem blog, dá pra imaginar? Tava muito no começo. Mas era realmente a única saída ali, além das rádios livres q eram muito numerosas em SP. Eu fui em várias. A pequena rádio de bairro seria uma solução genial pra democratizar a execução de música, seria bom pra todo mundo, mesmo pras rádios grandes e anunciantes. Mas, como se diz, a ignorância e o autoritarismo andam de mãos dadas, então esse tipo de democratização não rolou e não vai rolar, penso eu.

Hoje tenho navegado na internet mais pra trabalhar do q pra m divertir, então acabo usando as ferramentas habituais: Google, YouTube, MySpace, Wiki, Emule, sites de letras e cifras, sites q tenham informações pra produções q eu esteja fazendo. Acho SenhorF um site importante pra quem gosta de pop/rock e leva a sério. O Overmundo é interessante, tem muitos blogs interessante. O próprio Eu Ovo eu já conhecia, assim como outros, Um q Tenha, Loronix. Pra pesquisar música é ótimo, pque tem todo tipo de informação. Já pro Orkut e o MSN eu não tenho muita paciência, acho q a gente fica online demais…



EO: Como é sua relação com a internet? Porque obviamente você é músico e convive agora com compartilhamento de arquivos. As pessoas baixando seu disco pela internet.... Você é a favor disso?


MP: Sou a favor.

Acho q o mundo tá numa transição brutal. Cada dia tem uma tecnologia nova, uma atitude nova. Alguma hora esse ritmo de mudanças vai diminuir ou chegar em algum lugar mais permanente. Nessa hora vai dar pra pensar em alguma legislação mais definitiva sobre propriedade intelectual. Enquanto essa hora não chega, minhas músicas tão editadas, como sempre. Mas eu sou a favor do compartilhamento, não vejo q seja algum tipo de crime ou contravenção. Pirataria é vc pegar a minha música e fazer um milhão de cópias pra ir vender na Praça da Sé. Mas baixar pra ouvir é um direito das pessoas. O mundo mudou, hoje a comunicação é imediata, e todo mundo tem em casa equipamento relativamente barato pra pegar música e copiar com qualidade. As pessoas tão – literalmente – matando a curiosidade, numa boa. O q tá mudando no mundo, e não só em música, é q tá cada vez mais difícil vc remunerar a arte. E, no caso da música, tem música em todo canto, às pencas, aos gigas. Virou uma commodity.

Então, o q tá em crise não é a música em si, e sim a profissão de músico, o business de música, a possibilidade de viver de música (especialmente a gravada, pque show é show, né?)

Mas nós tamos realmente num meio de caminho, ainda tem muita mudança pra acontecer, vai ter q esperar pra ver, não tem jeito…



EO: Como é a sua posição nessa questão sobre a pirataria?


MP: Eu vejo 2 tipos de pirataria.

Um é catar minha música, copiar 100 mil cópias e sair vendendo por aí, q é o q os piratas e contrabandistas fazem.

Outro é a grande gravadora pagar jabá pras rádios tocarem sempre as mesmas músicas. Isso, além de ser crime (deve ser crime, né?), esculhamba totalmente o mercado de música, pque um monte de artistas deixa de ter acesso às rádios de maior audiência do país. Fora isso, tem essa coisa de as majors ditarem os preços do cd, terem um certo monopólio de distribuição de discos, coisa e tal.

Ou seja, no fim das contas, a pirataria é um subproduto da própria política das grandes gravadoras, desse monopólio no acesso à mídia e às grandes lojas. Certamente se o acesso de música às rádios fosse democrático e se o cd fosse mais barato, não haveria pirataria, né?

Onde tem concorrência razoavelmente leal, eu acho difícil ter pirataria. Piratas se alimentam de monopólios…



EO: O você ouve em casa? Você curte as bandas novas que surgem por aí?


MP: Passei 2 anos no processo de fazer disco, então tou meio de ressaca como ouvinte. Fui criado ouvindo rádio, sou viciado, e nessa tal ressaca tenho ouvido mais jogo de futebol do q música…

A rádio Cultura AM daqui tem uma programação bárbara de música brasileira, dá pra ouvir na internet. Recomendo tbem um programa de Curitiba chamado Radiocaos, bem maluco, tbem dá pra ouvir na net. Ando a fim de ouvir folk, tou curioso a respeito, tenho entrado em rádios americanas de folk e bluegrass. Ainda tem muita rádio boa por aí, na net e fora dela.

Na internet eu fuço o q aparece pela frente no MySpace ou no YouTube, montes de coisas. Algumas das bandas novas eu conheço, as mais óbvias, tipo Vanguart, Porongas, dei uma ouvida na Mallu Magalhães. O pouco q eu conheço dessa cena de rock indie me parece bem legal, assisti o Vanguart aqui em SP outro dia e gostei muito, o Helio, vocalista, tem um carisma danado.

Mas como vc pode ver, eu não sou especialista em nada: criado no rádio, agora no ramdom…

Ouço coisas da antiga, q eu ouvia qdo ainda não era músico, mais ingenuamente, por diversão, tipo: Beatles, Stones, Cassiano, Tim Maia (por conta de ter lido a biografia dele), Erasmo Carlos, Donato, Raul, Bob Marley, Stevie Wonder, Herbie Hancock, Wayne Shorter. Ou coisas q eu fui conhecendo depois, Elvis Costello, Bola de Nieve, Pablo Milanés, Paolo Conte, as rancheras mexicanas do El Recodo, Ray Charles, Jovem Guarda, Sly Stone. Ligo o shuffle e deixo vir de tudo, tem muita coisa q me interessa.

Tbem tem os amigos q tão lançando disco e me jogam na mão: Siba e a Fuloresta é lindo, o Arthur de Faria, meu parceiro de Porto Alegre, o Martin Buscaglia, um músico uruguaio bem interessante. O André m deu o disco novo dele, tem coisas boas lá. Los Pirata, Tatá Aeroplano, Trash pour 4, Natalia Mallo. Acabo indo muito de carona no q os filhos ouvem, então andei ouvindo Cachorro Grande, Hermanos, Mutantes, Beatles, Kinks, Stones, Clapton, The Who, Pink Floyd, Dylan, Hendrix, Chuck Berry.

Pois é, os moleques tão ouvindo os clássicos… coisa q a gente percebe qdo ouve as bandas mais recentes, né?



EO: Valeu Maurício, pela maravilhosa entrevista! Um abraço pra você e sucesso na turnê do seu novo disco, 'Pra Marte'.



MP: 1 abraço pra todos os ouvintes/leitores do Eu Ovo, e me fucem…

Mauricio Pereira



http://www.mauriciopereira.com.br/
Maurício Pereira no You Tube



E só pra lembrar, O Maurício vai apresentar o show do 'Pra Marte' no Sesc Consolação no dia dois de abril com a entrada franca.


Para baixar os outros discos do Maurício Pereira e dos Mulheres Negras, vê lá no Eu Ovo.



Para baixar o 'Pra Marte' vê no link ali embaixo, mas se quiser ouvir vai lá no Eu Ovo.



Agora se o seu lance é ter o CD 'Pra Marte' como obra física, você pode comprar aqui.



2007 Pra Marte



1. Pra marte

2. Motoboys, girassóis etc e tal

3. Ser boi

4. Trovoa

5. Um tango

6. Pranto para comover Jonathan

7. A loira da Caravan

8. Toscana

9. Responde Visconde

10. Quieto um pouco

11. Truques com facas

12. Um teco-teco amarelo em chamas

13. Penhasco

14. O dourado


Download (4Shared):

*NOSSO AGRADECIMENTO ESPECIAL AO BLOG Eu Ovo.